Como sei que muita gente que aqui vem não gosta de futebol, esclareço, desde já, que este texto não é sobre o tema, apesar deste servir de exemplo. O assunto desde 'post' prende-se com o profissionalismo das pessoas, visto que algumas não conseguem libertar-se das suas convicções e paixões no trabalho, mesmo colocando em causa o sucesso do mesmo.
Falo agora do meu exemplo pessoal. Muita gente já me disse que, em virtude de ser jornalista, não deveria aqui assumir o meu gosto pelo Benfica. Ok, percebo o ponto de vista e estou ciente de que não ser hipócrita poderá trazer-me alguns amargos de boca no futuro!
Pouco inteligente da minha parte? Talvez... neste País onde a maioria dos jornalistas dizem não ter clube, ou então são do Belenenses ou da Académica, com todo o respeito que estes emblemas me merecem. Mas prefiro não ser hipócrita, até porque como se usa a dizer 'quem não deve, não teme'. E nunca na minha vida, como nos dois anos e picos em que fiz jornalismo desportivo, a minha preferência pelo Benfica condicionou o meu trabalho de forma alguma.
1) Não sou fanático por um clube e adoro futebol acima de tudo (adorava, por exemplo, ver jogar o Porto de Mourinho);
2) Gosto muito mais de mim do que do que de um clube de futebol, procurando por isso ser cada vez melhor no desempenho das minhas funções;
3) Sou responsável e honesto.
Porém, há quem no exercício do seu trabalho se deixe levar por paixões, até potencialmente nocivas ao êxito profissional.
Ontem fui com o Geninho e o Bolacha ver o jogo do Benfica a um café, que ficou 'à pinha' para assistir ao desafio. Viu-se a primeira parte e uns 15 minutos da segunda. Nesse momento, o dono do café, sportinguista, resolveu mudar de canal para pôr o jogo do Sporting, que estava a começar - convém salientar que nenhum destes dois jogos estava a ser transmitido na RTP, SIC ou TVI.

Perante isto, alguns clientes protestaram, com natural razão, pois alguns até jantaram lá para ver o jogo, que ficou a meio. No entanto, o dono do café, porventura contagiado pela clubite leonina, alegou que também havia sportinguistas que queriam ver o jogo.
Enfim... O café estava cheio e, num ápice, ficou reduzido a dois ou três 'gatos pingados'. Apesar de não ter gostado da situação, não deixarei de lá ir, mas alguns clientes podem, eventualmente, não regressar. Com total legitimidade, diga-se.
Além de ter que haver olho para o negócio, há que se ser sempre profissional, ter bom-senso, independentemente da área, e deixar as paixões em casa. Ainda para mais, paixões... por um mero clube de futebol, seja ele qual for!!!
Abraço/beijinhos